sexta-feira, março 30, 2012

Hoje acordei meio... Eu, você e a descriminalização do ABORTO



Hoje acordei meio... Eu, você e a descriminalização do ABORTO

# Bom dia a você cidadão que acompanhou perplexo o movimento de grupos evangélicos e sua ferrenha luta contra a posse da ministra da Secretaria de Política para Mulheres, Eleonora Menicucci... Bom dia a você que acompanhou nas últimas décadas a árdua luta de grupos (incluso de grupos “religiosos”) contra preconceitos com relação as suas crenças e modo de vida, e agora assiste incrédulo a estes mesmo grupos tentando impedir uma pessoa competente de assumir um cargo importante no governo, simplesmente por esta ser a favor da descriminalização do aborto! Ora, vamos deixar de ser hipócritas! O aborto hoje não é uma questão de escolha, não vamos nem questionar os métodos contraceptivos (erros acontecem a todos), mas sim a questão brasileira do aborto! Hoje a questão do aborto no Brasil é uma problema de saúde pública, é um problema que afeta diversas classes sociais, e lutar contra a liberação do aborto é continuar alimentando uma indústria clandestina e milionária, a qual não tem somente interrompido milhares de gravidez indesejadas, mas também têm ceifado a vida de milhares de mulheres que erram em um momento de sua vida, milhares de mulheres que por descuido engravidaram, milhares de mulheres que têm apenas duas opções: Ser mãe (mesmo sem condições financeiras para tal – ou será que os evangélicos vão ajudar com fraldas e leite em pó?), ou procurar um clínica clandestina para realizar um aborto... A cada ano cerca de 700 mil a mais de 1 milhão de mulheres realizam aborto no Brasil, cerca de 2.000 desta mulheres morrem durante o procedimento, destas 1.200 estão na faixa dos 10 aos 29 anos, outras tantas são acometidas por infecções generalizadas e até mesmo infertilidade em decorrência das más condições clínicas na realização do aborto, fora os dados que não chegam as estatísticas, uma vez que os locais que realizam a interrupção de uma gravidez indesejada são buracos obscuros, sem ficha médica de suas pacientes, sem endereço fixo, sem sala de recuperação, muitas vezes, sem sequer médicos para realizar o procedimento, e tudo isto apreços exorbitantes, a ser pago em dinheiro, sem cobertura de planos de saúde, nem sequer acompanhamento de um cirurgião... O aborto é tabu para alguns hoje em dia, mas ele já vem sendo discutido – e utilizado – desde a Grécia Antiga, por exemplo: O filósofo Platão defendia a interrupção da gravidez em todas a mulheres que engravidassem com mais de 40 anos, já na Roma Antiga, o ato de abortar era absolutamente aceitável, as romanas queriam preservar a beleza do corpo e optavam pelo aborto, Aristóteles defendia que o aborto podia ser praticado até o 40° dia após a fecundação, e assim foi até 1558, quando um papa da Igreja Católica resolveu opinar, condenando a interrupção da gravidez...
Segundo a visão geneticista da coisa, a vida humana se origina na 3° semana de gestação, até então temos um espermatozoide que fecunda um óvulo e multiplica suas células incansavelmente até formar um ser, se este processo é interrompido, podemos dizer que estamos matando alguém? Como matar alguém que não existe? Está se interrompendo a formação de algo – o que não é menos pesado – porém pesado e indigno seria ter um filhos sem condições de criá-lo... Seria correto dar a vida a uma criança sem que você a quisesse? E jogá-la no mundo como tantas mães fazem?
 Ou levar uma gravidez adiante e ensacar o bebê não quisto em uma sacola plástica após o nascimento e pendurá-lo em um portão qualquer? Seria mais “aceitável” do que abortar? Nossa cultura baseia-se em pecado e medo, segundo alguns dogmas religiosos abortar é pecado, assim como é pecado utilizar métodos contraceptivos, mas estas mesmas religiões ajudarão financeiramente estas crianças após o nascimento? A religião fornecerá ensino de qualidade para estes rebentos?
Não, não e não... Então como se acham no diretito de opinar sobre o que é certo e o que é errado? Livre arbítrio! Cada ser humano sabe o que é melhor para si, a decisão de optar por um aborto já é difícil e extremamente pesada, é um fantasma de algo que não se pode voltar atrás, é uma dor e a culpa por algo que já está feito, um fardo que se carrega por toda a vida, portanto não pensem que é um alívio, pois não, não é!
É uma opção em meio ao desespero, é uma escolha difícil, uma estrada sem retorno, é um vazio eterno do que poderia ter sido, mas muitas vezes é a decisão correta a se tomar... #

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