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quarta-feira, agosto 29, 2012

Hoje acordei meio... Hábitos que herdamos


Hoje acordei meio... Hábitos que herdamos

# Bom dia a você coisameiga, que very todo dia acorda e se espreguiça feito uma gazela que desperta no mato, se esticando todo, parecendo muito mais que passou a noite na guerra do que confortavelmente dormindo, sim, você se espicha todo feito uma minhoca bêbada, e faz giros com o pescoço para “soltar os músculos”, lindo de ver... Yeah, você, assim como seu avô, tem todo um ritual ao sair do seu ninho, inspira profundamente o ar, abre os braços violentamente para trás e está pronto para o passo 2: buscar o jornal! Assim como seu papaizito, você vai até frente de casa vestindo este roupão surrado que foi presente de casamento em 1812, todo desfiado, com furos nos cotovelos e já sem uma cor definida, e pior é que você segue este ritual diário em busca das notícias sem ao menos dar aquela primeira mijadinha nem tampouco lavar o rosto, gentche phyna é gentche phyna! Claro, rola aquele bocejão que desperta o vizinho do lado, aquela coçadinha no bilau que está ereto esperando para despejar aquele primeiro mijão do dia (bem cremoso, bem espumantche) e aquela retirada do remelão do olho, mas o jornal tá na mão... Você faz exatamente igual ao seu pai, ao seu avô, e até o seu tatatatatatatatatataravô, que lia o jornal impresso em uma placa de pedra, tipo Flintstones, saca? Bom dia a você que após o almoção de domingo, você, assim como seus tios, levanta a camisa até a altura do queixo e começa a alisar a pança, em um movimento contínuo para cima e para baixo, como se ali dentro daquele espaço crescesse um filho de Zeus... Você alisa esta sua barriguéti da mesma forma como uma galera da ala masculina da sua família fazia – e você criticava, lembra? É, a genética é foda, muito foda, herança de caracteres, manias, trejeitos, doenças, varizes, ô que mara! Herdamos coisas que sequer imaginamos que herdamos, tem aquele pessoal que mexe freneticamente com as pernas, como se tivesse um tique nervoso pernal, tem aquela galera que coça constantemente o nariz, tô feliz: coço o nariz, tô triste: coço o nariz, tô neutro: coço o nariz, tem o pessoal que estala os dedos, primeiro todos juntos, depois um por um para confirmar se estalou todos mesmo! W-O-W-L-S, de são não sobre ninguém, todo mundo tem sua peculiaridade e sua dose de TOC (transtorno obsessivo compulsivo). Ah, não, você não tem? Ãhãn... Você consegue sair de casa e deixar a cama toda revirada? Não? Você tem TOC!  Você consegue jogar um jornal ou uma revista fora antes de ter lido? Não? Você tem TOC!  Você consegue mexer no jardim e comer algo sem lavar muito bem as mãos? Não? Você tem TOC!  Você pisca os olhos mais do que o normal? Sim? Você tem TOC!  Você é extremamente organizado e possui coleções? Sim? Você tem TOC!  Você sente a necessidade de tocar as pessoas ao se relacionar com elas? Sim? Você tem TOC!  Você desvia das partes que tem frisos de cimento nas calçadas e pisa só onde há piso? Sim? Você tem TOC!  Você não usa determinada cor, não fala certo número ou nome por que dá azar? Sim? Você tem TOC! 
Viu só? Todos nós somos maníacos, todos temos componentes esquizofrênicos, malucos e psicopatas, só temos é que disfarçar bem, para que possamos continuar a viver nossa loucura em liberdade e que nenhum hospício nos tolha toda esta magnificente insanidade... #

quarta-feira, agosto 15, 2012

Hoje acordei meio... O bicho da seda

Hoje acordei meio...  O bicho da seda

 # Bom dia a você que acordou fazendo tudo sempre igual, sacudido as 6 da matina pelo despertador, seguindo a rotina de banho, roupa, café, trabalho, estresse, casa, pijama e cama... Bom dia a você que todos os dias faz tudo exatamente do mesmo jeito, e se preocupa com o que vai comer, se a esposa tá te traindo, se o filho está bem na escola, se as pessoas gostaram do seu sapato novo, se o seu pai está tomando o remédio para o coração, e todas as outras coisas que são todas idênticas... Então você chega em casa e percebe que falta arroz! Como um robô, você pega seu fusca 74, dirige até o super mercadê, caminha até a gôndola dos arrozes e volta para sua bela casa de bonecas... Se te perguntarem qual era a fisionomia da caixa que lhe atendeu, você saberia me dizer? Você poderia me contar se o empacotador era um menino ou menina? Tá, você estava desatento, tudo bem... Mas e ontem? Você se lembra da pessoa que entrou no elevador com você, que desceu no mesmo andar que você, e que talvez trabalhe na mesa ao lado da sua? Você saberia me dizer se é homem ou mulher? Loira ou ruiva? Hãn? Não né... Pois é... Você não saberia dizer ontem, nem anteontem, nem semana passada, nem nunca! Por quê? É sua memória que está indo embora? Você está ficando cego? Míope? Não amigo, você está somente cada vez mais tomado por este terrível hábito humano de olhar para o seu próprio umbigo, assim como eu e toda a sociedade... Não nos interessa se o vizinho sente fome ou frio, desde que nós estejamos agasalhados e saciados, não importa se há guerra no oriente, desde que não haja na nossa casa, tá tudo certo, não importa se falta medicamento para câncer, afinal, não temos a doença! Não importa nada, desde que não nos afete... Somos bichos da seda, vivemos em nosso casulo próprio, não estamos nem aí se há dor e sofrimento na nossa calçada, o que importa é que ele não adentre nossa casa... Se há morte ali do outro lado da rua, o que importa é que alguém recolha o cadáver... Não estamos nem aí para o outro, por que a prioridade somos nós... Aprendemos de uma forma desastrosa que somos nós em primeiro lugar, o problema é que o outro não está em segundo, nem tampouco em terceiro... E é o círculo vicioso do eu quero, eu preciso, eu tenho, eu posso, eu sou... Até que o tempo do querer, precisar, ter, poder e ser se esgote... Até o momento em que você precise que alguém olhe POR você... Até o momento em que você precise de alguém que olhe PARA você... Talvez então você deixe de viver dentro de seu casulo, se preocupando somente com seu umbigo, e descubra quantos outros umbigos também existem por aí... #