quarta-feira, setembro 26, 2012

Hoje acordei meio... O meu silêncio significa: NADA




Hoje acordei meio... O meu silêncio significa: NADA

# Bom dia a você amiguinho, que emputecido tem discutido, esperneado, batido portas e derrubado vasos... Bom dia a você que quando o sangue sobe a cabeça a razão se perde completamente, bom dia a você que solta o verbo, se irrita, bate pé, argumenta, xinga e cospe... Sim, este é você, não que seja certo, não que seja errado, você apenas se importa... E é neste se importar que a briga vale a pena, e neste se importar que você pesa prós e contras (aos berros, mas pesa), empilha fatos, relembra episódios, ressuscita mortos, apenas para que  o outro entenda seu ponto de vista, apenas para que o outro – antes de concordar ou não com você – entenda o por que da sua gana... Você é humano, seu sangue quente faz a jugular pular do seu pescoço, e por mais árdua e grotesca que seja qualquer tipo de briga, você arrisca tudo e mete o pé na jaca, por apenas um simples motivo: Você se importa! Você se importa com a ausência do outro, se importa com a falta de atenção dele para com você, você se importa com as noites que vocês não deitam juntos, com os jantares não compartilhados, com os filmes não vistos, com os corpos não tocados... Você se importa quando a presença dele em casa é um fardo, quando vocês se cruzam e se beijam como velhos amigos separados pelo tempo... Você se importa quando a falta dele não lhe faz mais falta, e se importa quando é melhor longe do que perto... Você se importa quando uma viagem a trabalho já não é mais motivo de tristeza, e se importa quando tanto faz uma data especial... E você grita, e fala, e exterioriza o verbo, para ele, para os vizinhos, para a galáxia, exterioriza seus medos pela casa, pelos pratos, pelas portas, pelas quinas, e mesmo que você seja taxada de histérica, maluca, ou de qualquer outro adjetivo que menospreze sua angústia, você continua, por que você se importa... Por que você acredita... Por que algo há de mudar... #

segunda-feira, setembro 24, 2012

Hoje acordei meio... Perdigotos


Hoje acordei meio... Perdigotos

# Bom dia a você amiguinho tagarela, chegado num bom tête-à-tête, um bom tricô, enfim chegado numa fofoquinha básica... Bom dia a você que curte dar uma assuntada, se atualizar sobre as novidades e tales, argumentar sobre a vida alheia, sobre o tempo, sobre a crise europeia, sobre o vizinho da casa da frente... Aí, está lá você, escolhendo cebolas roxas no supermercado, lutando com a porra daquele saquinho plástico para tentar encontrar o orifício de entrada (pegadinha né!), até que chega o Seu Osvaldo! Oee Seu Osvaldo (nome fictício tá, se algum Sr. Osvaldo se identificar com o personagem é somente mera e terrível (uhóhohóhó) coincidência)! Seu Osvaldo é um cara bacana, um senhor no auge dos seus 70 e vários anos, um senhor culto e educado, sempre bem vestido (embora suas roupas cheirem a naftalina, mas isto deve evitar que as traças se deliciem com os luxuosos casacos de lã do Sr. Osvaldo), sempre sorridente e recheado de informações sobre o bairro, sobre a cidade, sobre o estado e sobre a galáxia, sim Seu Osvaldo sabe de tudo (aposentou-se muuuuuuito cedo e passou a estudar freneticamente os hábitos rotineiros da sociedade)... E você lá com suas cebolas rochas e o Sr. Osvaldo elegantemente se aproxima, lhe cumprimenta, pega um saquinho plástico e passa a escolher cebolas ao seu lado! Siiim, o Sr. Osvaldo está seco por uma fofoca! Ele lhe conta que a vizinha da frente foi assaltada semana passada, que o dono da sorveteria acabou o namoro PIS foi chifrado, que a padaria tá falida, que a loja de sapatos escondia um bingo na parte de trás, cheinha de máquinas caça níquel, O Sr. Osvaldo (claro!) não se esquece de comentar sobre sua catarata, sobre sua glicemia, as dores no corpo e a esposa que anda esquecendo as coisas... Tudo beleza, tudo tranquilo, lúdico até eu diria... DIRIA! Se não fossem os perdigotos! Ahhhhhhhhhhhh Meldeuzo! Quinze minutos de conversa com seu Osvaldo você não precisa tomar banho uma semana, sim, o Sr. Osvaldo lhe cobre de baba! Porra Seu Osvaldo! A cada palavra são trinta perdigotos que saltam da boquinha do Sr. Osvaldo, diretamente para sua face (ou sua orelha, dependendo do momento), e ele fala e aquele perdigotos voam como bombas teleguiadas direto na sua cútis, e seu Osvaldo pega no seu braço e lhe fala beeeem de pertinho e você já está com a cara lavada de saliva, puta que me pariu! E ele fala e os perdigotos se dissipam, dependendo da direção da luz você até consegue visualizar aquelas gotículas de saliva voando no ar e vindo em sua direção, e você não pode nem desviar, pois o Sr. Osvaldo lhe segura pelo braço fortemente, com medo que você escape... E vocês se despedem, Seu Osvaldo vai embora feliz da vida e você, sabe-se lá por que, sente-se sujo, meio pegajoso, meio unido até, e pensa seriamente em comprar um guarda chuva caso encontre novamente o Sr. Osvaldo para um papo informal no supermercado... #

sexta-feira, setembro 21, 2012

Hoje acordei meio... A nossa morte diária


Hoje acordei meio... A nossa morte diária

# Bom dia a você vivente! Bom dia a você nem tão vivo assim... Bom dia a você indivíduo cambaleante, semi vivo semi morto, ser entre dois mundos, entre a razão e a emoção, entre as trevas e a luz... Bom dia a você lindinho, que a cada ano celebra seu aniversário, e espera o dia na maior faceirice, enche balão, convida os amigos para comemorar, dá altas festas de arromba e tales, coloca chapeuzinho e assopra língua de sogra, que lindoo... Pois é, todo santo ano é a mesma coisa, você se arruma bem bonito, bem cheiroso, compra cueca nova, toma banho, compra aquela torta cheia de glacê (ruim bragarai...) e festeja mais um ano de vida! Ôba! Mas será mesmo que você está ganhando um ano a mais de vida? Tipo o cogumelo do Super Mario? É um life+plus, hein? Nã nã não my friend... Você, eu e a humanidade a cada comemoração, a cada velinha assoprada, estamos celebrando um ano a menos de vida, um ano que passou e que não podemos mais vivê-lo... A cada ano de vida celebramos a nossa morte, quanto mais anos mais próximo o fim (não necessariamente nesta ordem, but...)... Mas culturalmente acreditamos nas festinhas de aniversário, fazemos pedidos antes de apagar a vela, curtimos os presentes (tá, vai, nem todos...), curtimos o carinho dos amigos a cara de inveja dos inimigos (ahnn, énn, énn, ela tá fazendo trinta e quantos mesmo? Tá bem ném (raiva)...), curtimos fazer bolinhas de negrinho e limpar a casa e a privada depois da festa (tá, pula esta parte)... Morremos diariamente um pouquinho, a cada inspiração (sim amiguinho, o ar que você respira é o mesmo que oxida as maçãs e as peças de ferro expostas a ar livre), a cada ingesta de alimento (margarinas, guloseimas, café, álcool, e outros alimento geram toxinas em nosso organismo, e dependendo da quantidade nosso queriiido amigo fígado não consegue detoxificar), a cada ataque de estresse (e quem aqui amigo, não se estressou este ano? Este mês? Hoje?) nossa imunidade diminuiu e ficamos suscetíveis a diversas infecções em nosso belo corpitcho, enfim, morremos um pouquinho a cada dia e a cada aniversário celebramos um ano que se foi... E agora? Passaram-se 30 minutos, perdi 30 minutos de vida! OMG! Hey! Te aqueta! Isto só serve para nos fazer pensar! Ao invés de ficar sentado esperando um milagre, levante esta sua bunda gorda deste sofá de corino que cola tipo velcro e faça algo por sua vida! Tá cansado de tudo? Dê uma virada radical! Mude o corte de cabelo, o estilo de vida, de emprego, de namorado, comece do zero e se erga! Ninguém vai caminhar por você, ponha estas pernitas para correr, aproveite enquanto elas ainda são jovens (até ou 98 você é jovem! Yeah!), encare o mundo de frente, sem medo! E não se esqueça do glacê no bolo, das velas com glitter, e da língua de sogra!!! #




quarta-feira, setembro 19, 2012

Hoje acordei meio... Errr... É supermercado ou hospício?



Hoje acordei meio... Errr... É supermercado ou hospício?

# Bom dia a você coisameiga, consumista desde o momento em que põe os pés neste planetinha, bom dia a você que necessita adquirir com seu poder de compra desde o mais básico alimento até o papel higiênico, sim, aquele que irá lustrar o seu popot após este alimento ser digerido e devidamente reabsorvido pelo seu belo e escultural corpitcho... Mas, embora sejamos consumidores vorazes não produzimos nada, pegamos umas notinhas de papel (ou melhor, um pedaço de plástico com nosso nome) e vamos nos supermercados da vida atrás de frutas, verduras, salgadinhos, chocolate, macarrão, arroz, carne e tudo mais que possa satisfazer nossa glutice... Tá ném, como cidadões civilizados, adentramos o estabelecimento, pegamos um carrinho para levar nossas compras, e estamos nós lá, distraídos, escolhendo a melhor bolachinha recheada para comprar quando passa aquela mãe com um carrinho com um carro plástico embaixo sabe? E pior, com uma cria dentro, ahhhh, sabe aquelas mães que dão banda no corredor e deixam a cria sozinha, pois é... E você tá lá naquele momento lúdico, você e a bolacha, tentando decidir, e a cri olha para você e aponta um bonequinho com uma arma e começa a atirar: Pitiu, pitiu, tchum tchum, pá, pá pápápaá, ahahahah te matei... Heinz? WTF? Nãããoooo, saca que você – ali concentrado, na sua – só queria escolher uma bolachinha e vem esse fiodocapeta, cria do demo e da mula sem cabeça (sim ela arrancou depois de dar a luz para esta “coisa”) lhe “matar” sem motivo algum, ah vá te deitá... Tá, tá, mas é só uma criança (você pensa tentando se convencer), então respira fundo, olha para a cria, põe a mão no peito e fala: Óóóinn, você me atingiu, acho que vou morrer (e pensa: Pronto! Acabou a palhaçada, vou voltar para a bolachinha)... Well, ném, cria é cria, você falou que morreu e ainda tá de pé, então este fio do demo sai de dentro daquele carrinho colorido e segue até sua direção. Você de costas, concentrado nos tipos de bolacha da gôndola não vê o mal se aproximando, mas tomba com um chute bem dado na canela e com aquela voz estridente: Ahá, agora sim, te matei seu desgraçado, ptiu ptiu, tpum tpum, soc, pow... G-EEEEEEEEEEEEZZZZZZZZZZZZZZUUUUUUUUUIIIIIZZZZZZZZZZZZZ, que porra é essa? Pelamordedio, esse fuckmotherfucker me chutou, AHHHHHHHHHHH RA LHO, não posso crer... E você no chão, com a bolachinha toda esmagada, a cria lhe chutando e fazendo barulho de tiro com a desgraçada da arminha de plástico, você já não sabe se está na porra de um supermercado ou se é um hospício, então tomado de raiva, com uma gana indescritível, você pega o fio do demo pelo pescoço, sacode ele para os lado, olha bem dentro dos seus olhos e BERRA: Olhaaqui seu filhodumaputa, crianças não brincam com arma, armas não são legais, e não se chuta as pessoas assim, tu me entendeu, tu me entendeu (só para de gritar se a cria disser que sim), não quero ver tu chutar ninguém nunca mais, tu não vai chutar? Tu não vai chutar? A partir de hoje tu vai ser comportado e obediente senão eu vou aparecer onde quer que tu esteja, te segurar pelo pescoço e gritar contigo até que tu entenda, sacou? E não chora! Não chora! Então finalizando a história, é desta forma que os capetas viram anjos, nada como uma boa educação para que crianças hiperativas fiquem sentadinhas dentro de seus carrinhos e as pessoas normais possam ter um minuto de paz para comprar suas bolachinhas recheadas no supermercado, cosalenda... #